Resenha TAG: As sete mortes de Evelyn Hardcastle, de Stuart Turton

O autor Stuart Turton, em seu romance de estreia, apresenta uma narrativa cheia de mistérios e reviravoltas. Pegando carona na desorientação e falta de memória do narrador, o leitor é introduzido em um enredo do qual não sabe nada e compreende menos ainda. As informações da sinopse não são o suficiente para preparar o leitor para o que está por vir.

O livro basicamente apresenta um personagem preso a um determinado dia de sua vida, revivendo-o sempre em um corpo (hospedeiro) diferente. A única forma de se libertar é desvendando o assassinato de Evelyn Hardcastle. Até aí, tudo até que faz sentido. Entretanto, as reviravoltas e voltas temporais pregam uma peça tanto no leitor quanto no narrador, visto que ambos estão recebendo as mesmas informações pela primeira vez. São muitos detalhes, muitas informações, muitas mudanças aos quais o leitor precisa estar atento e disposto a bater a cabeça um pouco, pois nem sempre é possível acompanhar o raciocínio do narrador, que varia conforme ocorrem as trocas de hospedeiros. 

Como é descrito no próprio livro, as respostas, muitas vezes, chegam antes das perguntas, o que leva a uma demora para entender certos aspectos da história. 

Um dos pontos fortes do livro é sua escrita, simples e direta, o que, se não facilita, ao menos não atrapalha a compreensão. Outro destaque são os personagens, principalmente os hospedeiros, bem estruturados e complexos. Sendo que o narrador compartilha a consciência dos hospedeiros, sem conseguir, por completo, impor sua personalidade, proporcionando-lhe pensamentos conflitantes.

Apesar de ser um livro fascinante, o final se mostrou levemente piegas e as motivações do narrador, de certa forma, fracas por não se sustentarem. Além disso, o livro deixa um gosto de quero mais, pois, apesar do mistério ser explicado, algumas informações a mais agradaria o leitor. Nada que faça falta para a compreensão do enredo, apenas a curiosidade comum de quem quer saber o porquê e o como de tudo.

A edição enviada pela TAG para seus associados é belíssima, com uma sobrecapa digna da obra. Além do folheto com informações extras sobre o autor, a obra e outras curiosidades, e um chaveiro em forma de bússola, objeto presente em vários momentos  da narrativa. Entretanto, como quase todos os livros da categoria Inéditos, apresenta alguns erros de revisão, desde falta de espaço entre caracteres até frases incompleta, mas de forma alguma atrapalhando a compreensão do enredo. 

As sete mortes de Evelyn Hardcastle é uma obra primorosa. O autor não deixa uma ponta solta e entrelaça e resolve mistérios como nunca vi antes. A leitura prende desde o primeiro capítulo, tornando-se um daqueles livros que nos possuem e nos fazem desistir de qualquer programa só para não precisar parar de ler.

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